Lyrische crônica
Oorspronkelijk fictief lesvoorbeeld; geen echt auteurscitaat of gerapporteerde gebeurtenis
"O mar batia monótono. Não era bem o mar, era a memória do mar, esse mar que carregamos dentro mesmo quando moramos em Belo Horizonte. Pensei na morte, mas pensei pequeno, do jeito que se pensa em morte numa tarde de terça-feira, entre um cafezinho e outro. A morte das terças-feiras não assusta ninguém. É uma morte doméstica, quase íntima, que usa chinelos. Foi então que vi o mendigo alimentando os pombos com o próprio pão. Ali estava a literatura: na generosidade absurda de quem nada tem. O mar continuava batendo. Ou era meu coração? Já não sei. Nunca soube, aliás. A crônica é isso: não saber e escrever mesmo assim." (De zee sloeg eentonig. Niet precies de zee: de herinnering aan de zee, die zee die we in ons dragen, ook als we in Belo Horizonte wonen. Ik dacht aan de dood, maar ik dacht klein, zoals je op een dinsdagmiddag aan de dood denkt, tussen het ene kopje koffie en het volgende. De dood op dinsdag jaagt niemand angst aan. Het is een huiselijke, bijna intieme dood die pantoffels draagt. Toen zag ik de bedelaar de duiven voeren met zijn eigen brood. Daar was de literatuur: in de absurde vrijgevigheid van iemand die niets heeft. De zee bleef slaan. Of was het mijn hart? Ik weet het niet meer. Ik heb het trouwens nooit geweten. Dat is de crônica: niet weten en toch schrijven.)
Verhalende scène
Oorspronkelijk fictief lesvoorbeeld; geen echt auteurscitaat of gerapporteerde gebeurtenis
"O senador acordou com gosto de cinzas na boca. Não fumava há anos – promessa de campanha –, mas ali estava: cinzas, derrota, fim. O Rolex no criado-mudo marcava 5h47. Número primo, pensou, e riu da própria estupidez. Que importavam números primos quando o escândalo explodiria às 8h, horário nada primo, completamente divisível pela desgraça?